Um grupo de consórcios públicos que administra o SAMU 192 em diferentes regiões de Minas Gerais, incluindo o CISRUN (SAMU Macro Norte), enviou ofício ao presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, deputado Arlen Santiago, com cópia para o deputado Doorgal Gustavo Sad Lafayette de Andrada, solicitando reajuste no custeio estadual e a criação de um 13º repasse anual para a manutenção do serviço.

O pedido argumenta que os valores pagos pela União, pelo Estado e pelos municípios estão defasados e não cobrem o custo real de operação. No entanto, no caso específico do CISRUN, a situação desperta polêmica: o consórcio acumula denúncias de quadro de pessoal inchado com apadrinhados políticos, pagamento de gratificações generosas a médicos aliados do grupo que comanda a instituição e até descumprimento de ordem judicial, mantendo o portal da transparência fora do ar, o que impede que a população acompanhe como o dinheiro público está sendo gasto.
Apesar de pedir mais recursos do governo estadual, que, vale lembrar, não tem obrigação legal de aumentar a participação além do mínimo previsto, o documento pouco menciona que o governo federal não vem cumprindo integralmente sua parte no financiamento, conforme estabelece o modelo tripartite (União, Estados e Municípios).
Para críticos, a solução para o SAMU no Norte de Minas não depende apenas de mais dinheiro, mas sim de gestão eficiente. “No CISRUN, está fácil de resolver: basta cortar privilégios, enxugar a folha e aplicar corretamente os recursos”, aponta um gestor ouvido pela reportagem.
O ofício também lembra que o Ministério da Saúde concedeu um reajuste de 30% em 2023, mas a Secretaria Estadual de Saúde não repassou esse aumento aos consórcios, alegando que já transfere valores superiores aos mínimos estabelecidos em portaria.
Enquanto o debate avança na Assembleia Legislativa, a cobrança de mais transparência e responsabilidade na aplicação dos recursos do SAMU cresce, sobretudo em regiões onde as dificuldades parecem estar mais relacionadas a interesses políticos do que à falta de financiamento.