Na política montes-clarense, a criatividade nunca tira férias. O vereador Marcos Nem, porta-voz do prefeito Guilherme Guimarães na Câmara, resolveu instituir um sistema inusitado: os “15 minutos com o prefeito”. Toda segunda-feira, cada um dos 23 vereadores teria direito a um quarto de hora para despachar com o chefe do Executivo, uma espécie de atendimento político cronometrado.
Mas o que nasceu como tentativa de organização virou motivo de piada (e revolta) nos bastidores. Relatos dão conta de que, ao fim de cada conversa, Marcos Nem batia à porta do gabinete para avisar o fim do tempo, como um inspetor escolar controlando o recreio dos colegas. Ironicamente, ele próprio seria sempre o último da fila, ficando quanto tempo quisesse com Guilherme.
A reação veio em bloco: quase todos os vereadores assinaram, nesta segunda (3), um documento pedindo o fim do “cronômetro do diálogo”. E mais, deixaram claro o desconforto com o papel de Nem como porta-voz do prefeito no Legislativo.
Em política, simbologia é tudo. E, nesse caso, o “inspetor” acabou tirando o sossego de uma classe que não gosta de relógio, nem de alguém marcando hora para falar com o poder.