Fala chocante de ceo durante a cop30 causa indignação no Vale do Jequitinhonha

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Maicon Tavares

Uma forte onda de indignação tomou conta do Vale do Jequitinhonha nesta terça-feira (18) após a repercussão das falas da CEO de uma mineradora de lítio, que durante a COP30, em Belém, descreveu moradores da região como “mulas de água” e integrantes de uma “geração perdida”. As declarações se espalharam rapidamente e provocaram reação imediata de prefeituras, entidades religiosas e representantes de diversos setores.

A executiva Ana Cabral, que também dirige a unidade da empresa em Araçuaí, deu as declarações durante uma entrevista ao programa Fast Money, no canal Times Brasil. Nela, afirmou que a Sigma Lithium teria “resgatado” trabalhadores que, segundo sua própria descrição, vieram do cultivo de bananas e passaram a infância carregando água na cabeça, sem acesso à escola. Cabral chegou a afirmar que dezenas de trabalhadores treinados pela empresa seriam “ex-mulas de água”.

A fala não era inédita. Em agosto, ao receber o título de Cidadã Honorária de Minas Gerais na Assembleia Legislativa, a CEO já havia repetido esse mesmo discurso, descrevendo crianças da região como carregadoras de água que não frequentavam escola.

As reações, desta vez, foram contundentes. A Comissão para Ecologia Integral e Mineração da CNBB repudiou as afirmações, classificando-as como ofensivas, distorcidas e desrespeitosas à população do Vale. O bispo de Araçuaí, dom Geraldo dos Reis Maia, também criticou duramente as declarações e cobrou da empresa explicações sobre seu impacto social, mencionando inclusive os prejuízos causados pela recente paralisação das operações.

A Sigma Lithium, que se apresenta como referência em tecnologia sustentável e emprega mais de 1.600 pessoas nos municípios da região, viu o episódio reacender uma tensão já existente entre a companhia e comunidades locais.

Prefeitos de várias cidades se manifestaram publicamente. O gestor de Araçuaí, Tadeu Barbosa, afirmou que a descrição apresentada por Ana Cabral “não condiz com a realidade atual do município”. Em Itinga, o prefeito João Bosco afirmou que a fala da executiva fere a dignidade da população e ignora a história de resistência e trabalho da região. Virgem da Lapa também contestou a narrativa, afirmando que a expressão “mulas de água” jamais representou a identidade cultural local.

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