O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) anunciou, nesta segunda-feira (6), que representou formalmente perante o Conselho Regional de Odontologia do Estado de São Paulo (CROSP) e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) contra o dentista Fernando Simionato Garbi, após a morte do influenciador Aldair Mendes Dutra Junior. O jovem faleceu após se submeter a um procedimento estético conhecido como “fox eyes”, realizado pelo profissional.
A Comissão de Defesa do Ato Médico (CDAM) do Cremesp agiu de forma imediata, oficiando os órgãos competentes e solicitando a suspensão cautelar do dentista, além de cobrar providências urgentes para apurar o caso.
Procedimento invasivo e fora da área odontológica
No documento encaminhado, o Cremesp ressalta que a cirurgia “fox eyes”, destinada a alterar o formato dos olhos, elevando o canto das pálpebrasé um procedimento invasivo, que deve ser realizado exclusivamente por médicos habilitados, conforme determina a Lei nº 12.842/13 (Lei do Ato Médico).
A autarquia reforça que a prática extrapola a competência da odontologia, infringindo a Lei nº 5.081/66, que regulamenta a profissão, e a Resolução nº 230/20 do Conselho Federal de Odontologia (CFO), que proíbe expressamente cirurgias na face, como lifting de sobrancelhas ou de castanhares.
Cremesp cobra rigor e lembra riscos à saúde pública
Para Ângelo Vattimo, presidente do Cremesp e coordenador da CDAM, o caso evidencia um problema grave e recorrente:
“Essa é mais uma das tragédias anunciadas há anos pelo sistema conselhal e que demanda atenção das autoridades. Por aqui, continuaremos sendo rigorosos na defesa do ato privativo do médico”, afirmou.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa, Aldair Mendes havia relatado dores e inflamações no rosto após o procedimento e chegou a processar o dentista, acusando, o de se apresentar nas redes sociais como médico especialista em cirurgia da face. O profissional também teria se negado a fornecer o prontuário ao paciente, que buscava comprovar as complicações.
Pedido de interdição da clínica
Diante da gravidade da situação, o Cremesp solicitou ao MPSP que avalie a interdição da clínica odontológica onde o procedimento foi realizado, considerando o risco à saúde pública. Ao CROSP, foi pedido o afastamento imediato e cautelar do dentista, até a conclusão das investigações.
O Conselho reforçou que continuará acompanhando de perto o caso e reafirmou seu compromisso com a ética, a segurança dos pacientes e a defesa do ato médico em todo o Estado de São Paulo.