O Ministério Público de Contas de Minas Gerais (MPC-MG) acaba de abrir um novo inquérito para investigar o CISRUN, o consórcio que comanda o Samu no Norte de Minas. E o que está vindo à tona é coisa pesada: suspeitas de gente recebendo sem trabalhar, contratos que levantam suspeita, gratificação pra poucos e muito dinheiro público sendo movimentado sem transparência.
O consórcio, que deveria cuidar da vida das pessoas, agora está sendo acusado de servir a interesses políticos e familiares. A investigação foi aberta nessa quarta-feira (11), e tem como alvo a estrutura administrativa e os contratos milionários do CISRUN, que é bancado com dinheiro público dos municípios e do estado.
FUNCIONÁRIO FANTASMA, DIÁRIA EM DOBRO E CONTRATO TURBINADO
A lista de denúncias é grande. O inquérito do MP de Contas aponta suspeitas de:
Funcionários fantasmas e comissionados que não pisam no local de trabalho;
Aumento desenfreado de cargos comissionados: em 2015 eram 16, agora já são 62;
Pagamento de diárias em duplicidade para o ex-presidente do consórcio e ex-prefeito de Juvenília, Rômulo Carneiro — mais de R$ 174 mil só em 2024;
Contrato com a empresa Bigcard, que saltou de R$ 467 mil em 2023 para mais de R$ 2,5 milhões em 2024;
Postos de combustíveis ligados a membros do consórcio abastecendo ambulâncias;
Gratificações ilegais de até 50% sobre salários para servidores comissionados e até terceirizados;
Base do Samu inaugurada sem autorização legal em Icaraí de Minas;
Contratações políticas e familiares — gente sendo empregada não por mérito, mas por ligação com os poderosos.
Segundo apura o MP, o consórcio teria hoje mais de 600 contratados (incluindo terceirizados) e nenhum concurso público realizado, contrariando a lei que rege o serviço público.