O deputado estadual Carlos Pimenta, que acumulou múltiplos mandatos pelo PDT em Minas Gerais, decidiu recentemente se filiar ao PSB, posicionando-se como pré-candidato a deputado federal. A mudança gerou repercussão imediata no partido e provocou reação do presidente estadual do PDT e deputado federal, Mário Heringer, que emitiu nota direcionada aos pedetistas de Montes Claros, criticando Pimenta e seu ex-companheiro de partido, o suplente Délio Pinheiro.
Na nota, Heringer questionou o caráter de Carlos Pimenta, alegando que ele nunca apoiou candidatos federais do PDT, que teria se beneficiado do trabalho do partido para Alencar da Silveira assumir o TCE e que não teria participado de composições de chapas eleitorais. Além disso, mencionou que Pimenta teria discutido na véspera de sua saída a distribuição de recursos do fundo eleitoral, acusando-o de ter “se vendido” ao migrar para outro partido. Sobre Delio Pinheiro, Heringer apontou que, mesmo tendo assumido o mandato de deputado federal por concessão do partido, votou contra orientações internas, recebeu recursos do fundo eleitoral e teria apresentado desempenho pífio em sua campanha para prefeito de Montes Claros, criticando seu suposto “ego enorme”.
Nossa equipe confirmou com o deputado Mário Heringer que a nota realmente partiu de seu gabinete.
Em resposta, Carlos Pimenta classificou as declarações como um absurdo e afirmou que a saída do PDT não teve qualquer caráter de traição. Segundo Pimenta, a decisão refletiu exclusivamente uma oportunidade política, em meio a um cenário de enfraquecimento do partido em Minas Gerais, que perdeu mais da metade de seus deputados.
Pimenta também relembrou episódios de 2022, quando sua candidatura foi prejudicada no último dia de filiação com a entrada de outro nome no partido, mas afirmou que manteve postura ética e respeitosa, sem questionar publicamente as decisões do partido. “Eu sempre tratei Mário com o maior respeito e tranquilidade. A minha saída foi mais uma oportunidade política, não houve nenhuma traição. Política passa, mas as ações das pessoas ficam. Eu não sou do tipo que cuspo no prato que como, nem traio meus companheiros”, declarou.
O deputado reforçou ainda que sua atuação política sempre foi pautada por coerência e planejamento estratégico, mantendo compromisso com princípios éticos e com os eleitores que lhe confiaram votos ao longo de sua carreira. Ele também ressaltou que torce pelo sucesso de Heringer e do PDT, mesmo diante das divergências, e que a decisão de migrar para o PSB visa ampliar sua capacidade de atuação e contribuir de forma efetiva em nível federal.
A polêmica evidencia não apenas o realinhamento político de Carlos Pimenta, mas também as tensões internas do PDT em Minas Gerais, especialmente em um momento em que decisões estratégicas e disputas de espaços eleitorais ganham intensidade. A saída de Pimenta marca uma redefinição de forças políticas no estado e antecipa um cenário mais competitivo para as próximas eleições, com novos protagonistas buscando consolidar sua relevância e influência no panorama eleitoral.