A madrugada desta sexta-feira (15/11) começou com uma situação inesperada no Terminal Rodoviário de Montes Claros. Por volta das 2h27, a Guarda Civil Municipal flagrou um ônibus desembarcando dezenas de pessoas com bagagens na área frontal do terminal. Após a abordagem, constatou-se que se tratava de imigrantes venezuelanos que viviam há dois anos em Itabuna, na Bahia.
Segundo relato do motorista, registrado em boletim de ocorrência, o transporte foi contratado pela Prefeitura de Itabuna, com a orientação expressa de deixar as famílias em Montes Claros e retornar. O ônibus, de placa JSF-4094, partiu da Bahia às 13h do dia 14 e chegou a Montes Claros às 1h40 desta sexta. A vistoria feita pela Polícia Federal e pela Guarda Municipal não apontou irregularidades no veículo.
O grupo, liderado pelo cacique Amário Mota, contou que morava em um imóvel alugado e custeado pela Prefeitura de Itabuna, mas que o interrompimento dos pagamentos levou ao despejo das famílias. O cacique apresentou inclusive uma declaração oficial da prefeitura baiana, assinada pelo servidor Francisco Jackson da Fonseca, confirmando a responsabilidade pelo envio.
Diante da situação, a Prefeitura de Montes Claros enfatizou que não foi comunicada, não participou e não autorizou o transporte dessas pessoas para o município. Ainda assim, mobilizou equipes da Assistência Social, Defesa Civil, Saúde, Educação, Segurança Integrada, Esportes, Administração, Comunicação e Chefia de Gabinete para garantir atendimento emergencial.
As 41 pessoas, distribuídas em 7 famílias, incluindo 27 crianças, 14 adultos, 4 gestantes e até animais de estimação (2 cachorros, um coelho e um galo), foram encaminhadas para acolhimento provisório no Ginásio Ana Lopes, onde recebem suporte inicial e acompanhamento técnico.
O ponto que mais acendeu o alerta das autoridades locais é a possibilidade de que o caso não seja isolado. A Prefeitura de Montes Claros informou que há previsão de chegada de outro grupo, desta vez vindo de Vitória da Conquista (BA). São mais 14 pessoas, esperadas para a próxima semana. O município afirma estar monitorando a situação.
Em nota, a gestão municipal reforçou seu compromisso com a proteção social e a dignidade humana, mas destacou que não aceita e não compactua com o envio de famílias em situação de vulnerabilidade sem qualquer comunicação prévia, organização ou responsabilidade compartilhada entre os municípios envolvidos.