Enquanto o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência do Norte de Minas (Cisrun), responsável pela gestão do Samu Macro Norte, alega enfrentar dificuldades financeiras, um contrato de R$ 50.200,00 chama atenção pela falta de coerência com o discurso de austeridade. O documento, referente ao buffet de um evento do Conselho Diretor e Conselho Fiscal do biênio 2025/2026, detalha um cardápio digno de festas de luxo, com picanha, bobó de camarão, brandade de bacalhau, risoto de carne seca com pequi, e até bar de drinks com cerveja importada.
O contrato prevê serviço para 231 pessoas, sendo 200 convidados e 31 funcionários, com duração de sete horas no Portal Eventos, em Montes Claros, no dia 27 de fevereiro de 2025. A contratação incluiu “ilhas gastronômicas”, mini hambúrguer artesanal, fondue de coxinha, espeto de frango com molho de mostarda e mel, além de sobremesas refinadas como “torre de ninho com frutas vermelhas” e “torre de palha italiana de brigadeiro”.
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O gasto ocorre num momento em que o próprio Cisrun alega enfrentar crise financeira, cortando benefícios de servidores e acumulando dívidas trabalhistas. Profissionais da rede relatam que o consórcio não paga insalubridade e estaria descumprindo o piso nacional da enfermagem, além de atrasar repasses a fornecedores.
A denúncia se soma a outro episódio polêmico: a diretora do Cisrun, Zildete Souza (Detinha Souza), contratou a própria irmã, Zilene, por inexigibilidade de licitação, para realizar um show na festa de posse do Samu, pagamento que teria sido de R$ 20 mil, conforme documento obtido pela reportagem.
O contraste entre o discurso de dificuldades e os gastos em festas luxuosas levanta questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos. O Samu é financiado por verbas estaduais e federais destinadas ao atendimento de urgência e emergência, que deveriam, prioritariamente, ser aplicadas na melhoria de frota, equipamentos e condições de trabalho das equipes.
Servidores e lideranças regionais criticam a conduta da direção, afirmando que “falta gasolina nas ambulâncias, mas sobra luxo nas comemorações”. O episódio reacende o debate sobre a fiscalização do uso do dinheiro público e a necessidade de transparência em consórcios de saúde que administram serviços essenciais à população.
Fontes internas afirmam que o evento beneficiaria diretamente aliados políticos ligados ao grupo que controla o Cisrun, o que reforça suspeitas de uso político da estrutura pública.