Montes Claros reforça posição entre os maiores polos farmacêuticos do Brasil e atrai novos investimentos

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Maicon Tavares

Montes Claros consolida sua presença no cenário nacional da indústria farmacêutica e já figura entre os três principais polos do setor no país. Nos próximos cinco anos, a cidade deve receber aproximadamente R$ 10 bilhões em investimentos com a instalação e ampliação de empresas do ramo.

Entre os anúncios recentes está a chegada da Eurofarma, uma das maiores farmacêuticas brasileiras, que deve iniciar suas operações na cidade ainda em 2025. A confirmação foi feita pelo diretor executivo da companhia, Walker Lahmann, que também preside o Sindicato Municipal das Indústrias Químicas e Farmacêuticas de Montes Claros (Quifarmo).

No dia 8 de setembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu à empresa uma Autorização Especial que permite atividades como fabricação, armazenamento, embalagem, distribuição e reembalagem de produtos que contenham substâncias sujeitas a controle especial. Em 2024, o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) já havia liberado a Licença de Instalação Corretiva e a Licença de Operação para a unidade.

Com investimento de R$ 2 bilhões na construção da fábrica, a expectativa é que a Eurofarma gere pelo menos 300 empregos diretos na fase inicial.

Inovação no tratamento de lesões medulares

Outra notícia de impacto para o setor é o anúncio do Laboratório Cristália, que pretende produzir em Montes Claros um medicamento pioneiro no tratamento de paraplegia e tetraplegia.

O fármaco, chamado polilaminina, tem potencial para regenerar a medula espinhal e foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com o Cristália. A farmacêutica já solicitou à Anvisa autorização para a produção comercial.

Segundo o vice-presidente de Relações Institucionais do laboratório, Odilon Costa, parte da fabricação deverá ocorrer na unidade instalada em Montes Claros. A previsão é de que a produção comece em até três anos, após a conclusão das análises clínicas e da aprovação da Anvisa.

Desde 2007, o Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ trabalha no desenvolvimento do medicamento. Em 2018, o projeto foi incorporado pelo Cristália, que formalizou a parceria com a universidade em 2021. Até o momento, já foram aplicados cerca de R$ 28 milhões na pesquisa.

A polilaminina é uma proteína produzida naturalmente pelo organismo durante a formação do sistema nervoso e pode ser obtida também a partir da placenta humana. Os estudos indicam que o composto pode representar uma alternativa mais segura e acessível em comparação às terapias com células-tronco no tratamento de lesões medulares.

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