A decisão de reconhecer o “Grau” como modalidade esportiva em Montes Claros — com a construção de uma pista pública para manobras de motos — reacendeu discussões acaloradas sobre prioridades do poder público, segurança nas ruas e os limites entre incentivo ao esporte e à imprudência. O projeto, idealizado e defendido pelo vereador Rodrigo Cadeirante (União Brasil), recebeu aval da administração municipal e está orçado em R$ 400 mil, com execução pela empresa pública Esurb.
O projeto, que nasceu a partir da demanda de grupos como a Tribo 244, promete oferecer um espaço seguro para a prática do wheeling, tirando os praticantes das vias públicas. No entanto, a trágica morte de um idoso de 81 anos, atropelado por uma moto empinada, colocou o tema em evidência e provocou uma onda de críticas nas redes sociais.
“Se fosse alguém da família dele, será se falaria assim?”, questionou uma internauta, refletindo a revolta de parte da população diante do acidente.
Mesmo após o vereador declarar que não apoia o Grau nas ruas e que está oferecendo suporte à família da vítima, muitos cidadãos enxergam contradição em sua postura. “O que ele está perdendo de voto não está escrito”, apontou um seguidor. Outros foram ainda mais incisivos:
“Esse cara só fala merda, sai fora… Se fosse um parente seu? Você iria ficar a favor?”, disparou outro perfil.
Alguns comentários ironizam a ideia da pista como um “espaço educativo” e comparam a legalização do Grau a criar “local para consumo de drogas ou para estudar mulheres à vontade”. Em tom de lamento, uma moradora escreveu:
“Uma vergonha um vereador desses. Em vez de investir em hospital, transporte e educação, fica gastando dinheiro com algo que não vai beneficiar ninguém.”
Outro tema que gerou desconforto foi o posicionamento político do vereador, acusado por muitos de “populismo” e de estar usando a pauta para fidelizar um eleitorado específico. “Claro que ele vai defender… foi esse povo que colocou ele lá”, comentou uma usuária, reforçando a crítica de que o vereador atua mais por conveniência política do que por bem coletivo.
Ainda não se sabe como será feita a fiscalização da pista e como será garantida a identificação e o controle dos praticantes, embora tenha sido anunciada a criação de uma carteirinha. A promessa é de que quem for flagrado praticando manobras perigosas fora da pista será punido — mas a dúvida que ecoa é: quem vai fiscalizar?
Enquanto isso, a cidade segue dividida. Para alguns, o projeto representa inclusão e valorização da juventude periférica. Para outros, é um sinal de desgoverno, imprudência e descaso com a vida alheia. A pista do Grau começa a sair do papel — mas a paz sobre o tema ainda está longe da linha de chegada.